Coluna Sala Vip – 20/08/2007
Publicado por Ron Groo em Agosto 28, 2007
Adoniran e São Paulo
por Ron Groo
João Rubinato nasceu em Valinhos – São Paulo, e como atesta seu principal biógrafo Celso de Campos Jr., não era muito chegado ao trabalho: queria mesmo era ser cantor de sambas na tradição de Noel Rosa. Chegou a fazer numa rádio paulistana onde ouviu do técnico de som que: ”Sua voz é boa… Pra acompanhar velório”. Nem assim desistiu.
Adoniran Barbosa nasceu na capital Paulista em 1934, desempregado e sem ‘cartaz’ como se dizia à época, perambulou por estações de rádio como a Educadora, rádio Bandeirantes e rádio Record e quando conseguiu ingressar de vez nas ondas radiofônicas não o fez como cantor ou compositor, mas, como radio-ator dando vida e voz aos personagens de Osvaldo Moles, outro gênio que merecerá uma coluna só para ele em breve.
‘Charutinho maloqueiro’, ’Prof. Richard Morris” que lecionava inglês, ’Barbosinha mal-educado” entre tantos outros que fizeram com que adquirisse o tão sonhado ‘cartaz’ e a fama como um dos principais contratados da rádio Record, conhecida então como “A maior”, só que ainda faltava algo entretanto… Faltava firmar-se como cantor e compositor. Como cantor ainda não éra a hora, mas como compositor sim. Entram em cena os “Demônios da Garoa” quinteto que melhor interpretou seus sambas. Ouça ‘Saudosa maloca’, Samba do Arnesto’ e ’Samba italiano’ para atestar, se é que é preciso.
Fotógrafo de rara habilidade, Adoniran expôs a vida da Capital em polaroides precisas versando sobre tudo, desde atropelamentos (em ’Iracema’), demolições (‘Saudosa maloca’), gratidão (‘Vide verso meu endereço’) e um improvável boêmio bom filho (‘Trem das Onze’) e soube homenagear a cidade como pouquissímos fizeram até hoje.
Nem um outro compositor, nem Caetano Veloso e sua ‘Sampa’, nem Tom Zé com ‘São São Paulo, meu amor’ e nem mesmo o Premê com sua ’São Paulo, São Paulo’ foram tão fiéis e tão apaixonados – e apaixonantes – como Adoniran em sua obra. A cidade que lhe deu fama e estabilidade, prestígio e moradia era constantemente lembradas em suas letras.
João Rubinato veio a falecer em 1982, mas Adoniran Barbosa ainda está por aí, em lugares como o Jaçanã, a Praça da Sé e o Viaduto Santa Ifigênia só para citar alguns que emprestaram nomes a sambas seus. Nesses locais ainda podemos – olhando atentamente – ver traços de sua presença. Seja nos engraxates de sapatos e suas caixas, nos botecos de esquina ou no Bixiga onde há uma estátua sua também.
Então canta… “Vide verso meu endereço, apareça quando quiser…” Estamos todos escutando… Canta…
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