Arquivo Mondo

“Futeblogando”

Publicado por Ron Groo em Outubro 16, 2007

Contando nos dedos 

Doze pontos separam os dois líderes – São Paulo e Cruzeiro – a 10 rodadas do término do campeonato. Será que alguém tem dúvidas sobre o penta campeonato? As que existiam sumiram depois da virada tricolor sobre o Inter, num jogo muito disputado. Com um a mais desde os 22 da etapa inicial, o São Paulo teve paciência e virou no segundo tempo com Tardelli e Borges.

 

A contagem regressiva pro título é realidade depois da derrota cruzeirense em casa, noutra virada. O time mineiro abriu o placar e jogava melhor, mas como o futebol é imprevisível no fim do primeiro tempo o Figueirense empatou em raro contra-ataque. A Raposa sentiu o golpe e no segundo tempo o jogo foi igual. Um festival de gols perdidos pelo time azul e nem Guilherme nem Kerlon resolveram. Então aos 47 o Cruzeiro sai jogando errado e o Figueira vira.

Na briga pela Libertadores, Santos e Grêmio se consolidam. Enfrentando o Juventude fora de casa, o Grêmio fez 2 a 1. Depois dos gols de Jonas e Diego Souza, o tricolor gaúcho segurou a pressão e chegou aos 47 pontos. Já o Juventude vê o rebaixamento em cores mais vivas.

 

O time praiano bateu o Vasco com gol de Rodrigo Souto. Jogo difícil ainda que em casa, pois o Santos perdeu Baiano – injustamente expulso no fim do primeiro tempo. A boa atuação de Fábio Costa garantiu os três pontos e a reabilitação depois de duas derrotas.

 

A posição santista no G4 foi conseguida às custas do tropeço do Palmeiras em Natal. Sentindo a falta de um centroavante de ofício o Verdão tomou sufoco do América e ainda perdeu Martinez por 15 dias. Jornada infeliz do time de Parque Antártica.

 

Já o Corinthians vive um inferno sem fim. A derrota da vez foi diante do Sport: 2 a 1 em pleno Pacaembu. Para o time pernambucano, além dos três pontos, a boa notícia é que a Libertadores já é um sonho realizável. O time está a apenas seis pontos do G4.

 

Outro alvinegro lamentou a 28a rodada. O Botafogo perdeu no Maracanã para o Goiás por 3 x 0 e estacionou nos 42 pontos. A vitória goiana foi mais fruto dos erros botafoguenses que mérito próprio. Para piorar tudo até o azar conspira contra a estrela solitária. Reinaldo e Zé Roberto chutaram na trave e assim não houve nenhuma chance de reação para os cariocas.

Nesta rodada tivemos também a quinta vitória seguida do Náutico: 5 x 0 no desesperado Atlético-PR. Outros times que respiram aliviados são Flamengo e Paraná. O rubro negro venceu o Atlético-MG por 1 x0. Já o Paraná, em casa, marcou 3 x 1 no Fluminense e brecou a ascensão do time das Laranjeiras.

27ª rodada do Brasileiro

Nesta rodada tivemos seqüência da idéia da CBF de deixar algumas rodadas só para os clássicos.  Em São Paulo, o Palmeiras mereceu a vitória por 1 x 0 sobre o Corinthians.  Eu até pensei que a mística do clássico pudesse levar o Timão à vitória.  Mas o fato é que o time do técnico José Augusto é um amontoado em campo e cairia para a Segunda se o campeonato acabasse hoje.

Outro time a se dar bem no clássico foi o Náutico – 2 x 0 no Sport.  Com Julio César em dia de Acosta – o atacante fez os dois gols do Timbu e tirou o Náutico da zona do rebaixamento.  O Sport patina nos 36 pontos e vê minguar as chances de lutar por uma vaga na Libertadores 2008.

Com 16 pontos nas últimas seis rodadas, o Fluminense de Renato Gaúcho e Thiago Neves engrenou e já é quinto, com 43 pontos.  Dessa feita, a vítima foi o Botafogo, 2 x 0 no Maracanã.  O futebol do craque tricolor já desperta a cobiça de São Paulo e Palmeiras: abram as apostas.  Sobre o Botafogo, me convenci que o bom primeiro turno foi coisa de cavalo paraguaio.

No clássico curitibano, o Atlético fez 2 x 1 no Paraná e respirou.  Deixou a zona do rebaixamento e afundou ainda mais o rival Paraná.  Jogo nervoso, com dois gols do zagueiro paranista Neguette: um contra, outro a favor.

São Paulo e Cruzeiro nadam de braçada e venceram mais uma.  O tricolor paulista fez 2 x 0 no Figueira e os mineiros marcaram 2 x 0 no Vasco.  Mas só o placar foi igual.  No Morumbi, o São Paulo fulminou os catarinenses desde o apito inicial e quando saiu para o intervalo a fatura estava liquidada.  A Raposa teve paciência para suportar a pressão em São Januário e só matou o jogo na metade do segundo tempo.  Parece que a briga para a Libertadores se resume a duas vagas.

Em briga direta por essas vagas, Grêmio e Santos jogaram no Olímpico.  Vitória gaúcha por contagem mínima.  Num dos poucos lances de perigo do Grêmio, saiu o gol: falta cobrada com força por Marcel.  Depois disso, foi um festival de gols perdidos pelo ataque santista.  Derrota merecida num jogo chave para o time do técnico Luxemburgo.

Empate ruim para Flamengo e Juventude.  O time gaúcho ensaiou uma reação na fuga da degola, mas agora está a seis pontos do 16º posto.  Para o Flamengo, fica o desgosto de deixar a vitória escapar depois de liderar duas vezes o marcador.

Já o Goiás deixou escapar dois pontos ao empatar em casa com o América-RN.  O time goiano conta cinco jogos sem vencer, sendo quatro derrotas.  Com o empate, o time perdeu a chance de chegar aos 36 pontos e à nona posição na tabela.  Jogando mal, o time foi castigado aos 41 minutos do segundo tempo e vê o rebaixamento mais perto.

Pra encerrar a rodada, falta falar do eletrizante empate entre Atlético-MG e Internacional.  Fez lembrar os duelos entre os dois times nos anos 70.  Num primeiro tempo morno, o Galo se deu ao luxo de perder um pênalti.  Mas na segunda etapa o Inter voltou melhor e marcou aos 11 e aos 17 minutos.  A torcida mineira já vaiava o time e aos 42 Leandro Almeida diminuiu.  Aos 45, Vanderlei empatou e nos descontos, Marinho perdeu a chance da virada atleticana.

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“Internauta”

Publicado por Ron Groo em Outubro 13, 2007

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 Energia Nuclear:
“Ser ou não ser”

por Bruno Serafim

A construção da nova usina nuclear Angra III deve ter início ainda este ano, entretanto, a crise política pode atrasar o aval do governo para que as obras se iniciem. O projeto deve ser concluído em 66 meses e custará R$ 5,8 bilhões de reais em 5 anos, financiados pela Eletrobrás, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e por bancos comerciais estrangeiros. Essa nova planta de produção energética a partir de urânio deve ter capacidade semelhante à de Angra II, podendo atender à demanda de uma população de 2 milhões de pessoas.

Essa notícia levanta aquela velha questão: Seria a energia nuclear perigosa? Será que essa posição cautelosa (por quê não dizer preconceituosa?) dos ambientalistas em relação ao uso de energia nuclear se justifica? Não faltam por aí defensores do modelo atual da matriz energética brasileira baseada em hidrelétricas, tidas como fonte de energia limpa, segura e renovável. Será que essa afirmação é verdadadeira? A seguir tentarei responder estas e outras perguntas que muitos têm feito, principalmente após a aprovação da construção de Angra III.

 

A energia nuclear não é um exemplo de fonte renovável e por isso pode ser um erro adotá-la como principal fonte energética, porém, o nível de emissão de gases poluentes é nulo na usina e o impacto ambiental só é considerável na fase de exploração mineral; portanto, é uma alternativa muito atraente no combate à amplificação do efeito estufa, ajudando na estabilização da emissão mundial dos gases que são a razão do super-aquecimento global. Por sua vez, a área alagada causada por uma hidrelétrica causa morte da vida aquática devido à decomposição das áreas verdes submersas (eutrofização) e libera gás metano na atmosfera, que é cerca de mil vezes mais prejudicial ao efeito estufa do que o gás carbônico.

 

Não há como citar a energia nuclear sem se lembrar do fatídico ano de 1986, quando explodiu a usina de Chernobyl. Este desastre matou oficialmente 4.000 pessoas. Além disso, cerca de 5,5% da força de trabalho ucraniana ficou inerte devido às conseqüências do acidente. Porém, o reator usado na ocasião é do tipo RBMK (usa plutônio como combustível), que é muito instável à baixa potência, diferente dos geradores utilizados no Brasil, do tipo PWR, que utilizam urânio como combustível, sendo assim mais seguros e eficientes. Portanto, o vazamento de Chernobyl não se aplica à realidade do projeto nuclear brasileiro e foi bastante destrutivo devido à inexistência das medidas de segurança previamente citadas. Seu reator estava presente no interior de um galpão carente de qualquer tipo de isolamento com o mundo exterior.

 

O Brasil possui grande potencial para produção e auto-suficiência em energia nuclear através do urânio, possivelmente até exportando o excesso da produção de energia elétrica gerada pelo recurso em questão. É possível prever um aumento da relevência da energia nuclear na matriz energética como fonte complementar à demanda nacional. Entretanto, os órgãos fiscalizadores (IBAMA), legisladores e administradores (SEMA e CONAMA) sofrem com a falta de normas que seriam adotadas a fim de promover um melhor aproveitamento do recurso. Há necessidade de maior rigorosidade na execução da fiscalização dessa prática, já que se trata de um material perigoso, tanto para o meio ambiente quanto para o próprio Homem, que se beneficia dele.

 

Hoje mesmo (08/09) José Serra criticou o governo federal pela falta de planejamento e metas a serem seguidas: “Está faltando um rumo mais definido, um projeto que a Nação tenha uma percepção melhor, para onde vai e possa também decidir a respeito desse futuro caminho.” – disse Serra. Quem sofrerá com essa irresponsabilidade somos todos nós, que teremos que enfrentar um apagão crônico até o fim dessa década devido à falta de investimentos no setor energético. Por essa razão, o Brasil será obrigado a aumentar o número de termelétricas nos próximos anos a fim de suprir essa demanda crescente e comprometerá sua posição privilegiada no mercado de créditos de carbono, fruto de uma política de utilização dos recursos hídricos como fonte de energia principal.

 

Mas olhemos pelo lado bom: O país tem crescido pouquíssimo (para ser mais específico, só ganhou do Haiti neste ano) e isso possivelmente adiará o nosso apagão estrutural. Não adiantará rezar pela chuva, como fizemos em 2001, dessa vez teremos que rezar para que, na próxima eleição, o povo escolha alguém mais preocupado com este país. Já pensaram se hoje o Brasil crescesse a um ritmo alucinante como a China, criando milhares de empregos e ganhando novos mercados??? Que horror seria!!! Ficaríamos sem luz em 6 meses!!! Pelo menos é o que deve estar pensando Lula e seus poucos acessores.

 

Por maior que seja este país de proporções continentais, eu não consigo acreditar que cobrando quase 40% de impostos faltem investimentos em infra-estrutura e energia. Na minha opinião, precisamos mandar esses políticos corruptos e sem senso de coletividade para a cadeia e planejar melhor nosso futuro, começando dentro de nossas casas. Se a nossa sociedade se der conta disso, um dia se refletirá na nossa política também.

 

Por fim, uma frase de José Serra e algumas perguntas para que os apreciados leitores reflitam, neste fim-de-semana de comemoração ao dia da independência:

 

“Um requisito fundamental do desenvolvimento é o crescimento sustentado da economia, ano após ano, e não bolhas de crescimento em determinados momentos. O Brasil precisa desse projeto para gerar emprego, para gerar renda para as famílias. Emprego e renda são condições essenciais para que as pessoas possam progredir e aproveitar as oportunidades na vida. Essa é a minha preocupação essencial num dia como hoje, em que comemoramos nossa independência.”

 

Somos independentes? Ou ainda há milhões de brasileiros que não ganham o suficiente para decidirem seus futuros e escolherem suas oportunidades na vida? Seriam eles escravos da falta de oportunidade?

 

Bruno Serafim é estudante de engenharia ambiental na Escola Politécnica da USP e atualiza o blog sustentabilidade.zip

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Collin McRae, o Sr 110% – Coluna “O Grande Circo” de 17/09/2007

Publicado por Bernardo Bercht em Outubro 9, 2007

Collin McRae, o Sr 110%

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por Paulo Alexandre Teixeira

A ideia inicial era o de fazer um tributo a Marcus Gronholm, que na passada sexta-feira anunciou que se iria retirar no final da época, provavelmente com o seu terceiro título mundial no bolso, mas o Destino encarregou-se de dar outro rumo, este bem mais triste: o acidente mortal de Colin McRae, este Sábado, vítima de um acidente de helicóptero.

Os factos são conhecidos de todos: McRae regressava a casa depois de uma ida a Londres com um amigo o os seus respectivos filhos. Na altura em que escrevo estas linhas, ainda não se sabe o que aconteceu, pois McRae era um piloto de helicópteros experimentado, com centenas de horas de voo, Mas o tempo estava chuvoso e o vento era forte, portanto, este pode ter tido algum efeito no acidente fatal.

Tinha acabado de fazer 39 anos. Estava a preparar-se para uma nova ida ao Lisboa-Dakar, a bordo de um BMW X5 Raid da equipa oficial, mas a ideia de um regresso aos Ralies ainda não o tinha abandonado a sua mente. Tivera um regresso frustrado em 2006 a bordo de um Citroen Xsara, substituindo o francês Sebastien Löeb, que tinha tido um acidente de bicicleta. As suas performances ainda estavam lá, mas um problema eléctrico tinha impedido de chegar em segundo no Rali da Austrália. Com a retirada de Gronholm, anunciada no dia anterior, a ideia de um regresso à equipa da Ford, onde estivera de 1999 a 2002, começava a ser plausível. Mas isso já não vai acontecer…

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Pessoalmente, nunca tive a oportunidade de conhecê-lo. As minhas incursões no Rali de Portugal limitam-se às classificativas, onde os via de passagem. Mas sei que. Nos anos 90, haviam dois pilotos que mexiam os adeptos: Colin McRae e Carlos Sainz, esse era mais por causa dos muitos espanhóis que nos visitavam, e não só…

Ele era filho e irmão de campeões. O seu pai, Jimmy McRae, tinha sido campeão britânico de Ralies por cinco vezes, nos anos 70. O seu irmão, Alistair, tinha sido piloto9 da Hyundai e da Mitsubishi no início desta década, mas sem o sucesso do irmão. Desde cedo que se revelava que queria ser piloto. Aos 19 anos, em 1987, teve a sua estreia em Ralies do Campeonato do Mundo. Primeiro num Ford Sierra Cosworth, mostrou rapidez e tendência para acidentes… muitas das vezes, Colin chegava aos finais das classificativas com o carro destruído, sem vidros e com o tecto amolgado. Cedo, os jornalistas desportivos, como o “grande” Martin Holmes, lhe deram uma alcunha: “Colin McCrash”.

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A razão era simples: a sua rapidez era muitas vezes compensada com uma ida à berma, normalmente com o carro destruído. Mas o seu patrão na altura, David Richards, confiava nas capacidades do seu piloto. E que a sua hora iria chegar.

E assim foi: em Julho de 1993, no Rali da Nova Zelândia, Colin McRae fez uma prova sem falhas, e subiu ao lugar mais alto do pódio. Tinha 25 anos, e era o piloto mais jovem de sempre a ganhar um rali, até então. E David Richards tinha razão: o seu piloto era capaz de ganhar corridas, sem perder a rapidez…

Dois anos mais tarde, ele finalmente disputava um título mundial contra os melhores: Carlos Sainz, Juha Kankunnen, Didier Auriol, Francois Delecour, Tommi Makinen, Armin Schwartz… Nesse ano, o escocês voador ganhara somente o Rali da Nova Zelândia, mas a sua regularidade era impressionante, e depois de uma luta com o seu companheiro, o espanhol Carlos Sainz, ele acabou por ganhar o Rali da Inglaterra (então o Rali RAC), batendo o espanhol na classificação por cinco pontos.
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Nos anos seguintes, continuava a ser rápido, consistente, e vencedor. Podia ter ganho mais títulos mundiais, mas ele foi um dos maiores rivais de Tommi Makinen, que ganhou quatro títulos consecutivos, entre 1996 e 2000. Chegou até a ganhar cinco ralis em 1997 (mais do que qualquer um dos seus rivais), mas o título acabou nas mãos do finlandês da Mitsubishi… por um ponto!

No final de 1998, decidiu abandonar a sua equipa de sempre, a Subaru, para ajudar a Ford a desenvolver o seu novo modelo, o Focus. Na realidade, ele começou a sua carreira na Ford, guinado Sierrras Cosworth, mas graças a ele, o modelo tornou-se num carro vencedor, fazendo com que a WRC, no final do século, fosse a categoria mais competitiva de então no automobilismo internacional. Um exemplo: as cinco primeiras provas de 1998 foram ganhas por cinco pilotos diferentes!

As suas passagens por Portugal, por alturas do Rali, nunca passavam despercebidas: ou vencia, ou desistia. “Do or Die!” Ganhou por duas vezes, na primeira das quais, a luta com Carlos Sainz tinha sido tão épica que só conseguiu ser o vencedor por apenas… 2,3 segundos. Foi a diferença mais curta em ralis até então, batido somente este mês, no Rali da Nova Zelândia, por Marcus Gronholm e por Sebastian Löeb, que ficaram separados entre si… por 0,3 segundos.

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Nesta altura, McRae já era conhecido noutros meios: os videojogos. Foi o primeiro piloto a dar a cara por um videojogo, que se tornou num marco: “Colin McRae Rally”. Quase todos nós já jogamos, pelo menos uma vez, numa versão deste jogo de computador, seja ele na versão PC, na versão consola (Playstation, XBox…). Certamente têm o seu carro favorito (pessoalmente, hesitava sempre entre o Ford Focus e o Subaru Impreza) e o seu rali favorito (durante muito tempo era fã da Nova Zelândia…), mas nunca vira em computador o Rali de Portugal, o que me dava pena. Mas como ultimamente não tenho jogado as novas versões, espero que essa lacuna tenha sido preenchida…

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Com o passar dos anos, e com a profissionalização cada vez maior das estruturas das equipas, notava-se que McRae perdia a paciência com os testes cada vez mais exaustivos, e as minúcias cada vez maiores nos carros. Para ele, o carro é que se devia adaptar-se ao seu estilo de condução, e o verdadeiro teste era em pista, e não em simuladores… a sua passagem pela Citroen foi tudo menos famosa, e no final de 2004 fica sem carro competitivo pela primeira vez em quase 15 anos. Então, vira-se para outros desafios: começa a correr em todo-o-terreno, com a mesma rapidez de sempre, e por vezes com os resultados de sempre… No ano passado, no Lisboa-Dakar, apesar de ter ganho cinco das 22 etapas do mais longo e conhecido “rally-raid” de todo-o-terreno, teve um arrepiante despiste que causou o seu abandono.

Também aproveitou para participar num acontecimento americano: os X-Games. Levou os ralis para o público norte-americano, e fez o espectáculo do costume: sempre rápido, nem sempre a acabar bem. Mas com ele, o espectáculo estava sempre garantido. O carro, esse, nem sempre voltava inteiro…

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Contato: p.alex.teixeira@gmail.com

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“Super Pole”

Publicado por Felipe Maciel em Outubro 8, 2007

Procura-se

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por Felipe Maciel

A Fórmula 1 está naquela fase da chamada “dança das cadeiras”, em que as vagas do grid para o próximo ano passam a ser definidas. Em busca das opções a serem preenchidas, destacam-se alguns veteranos que não fizeram uma boa temporada e estão desesperados para tentar se manter na categoria, enquanto muita gente nova pretende entrar na dança.

Giancarlo Fisichela, após anos de experiência em times médios e pequenos, conquistou um cockpit titular pela equipe Renault em 2005. O italiano, porém, apresentou um desempenho extremamente inferior ao do Alonso durante as duas temporadas em que foi seu companheiro. Em 2007, Físico começou o ano com um carro ruim, mas ainda assim andando na frente do Kovalainen. Depois, ambos passaram a desenvolver um ritmo igualmente fraco, até que, após a metade do campeonato, o finlandês veio acertando a mão e deixando Giancarlo para trás. Sua saída da Renault é quase certa, e agora é um dos inúmeros pilotos apontados para a vaga de companheiro do Rosberg na Williams.

O titular da escuderia inglesa que coloca essa posição em aberto é o austríaco Alexander Wurz. Como piloto de testes, Alex se destaca bastante, mas deixa a desejar como piloto de corridas, apresentando muita dificuldade nos treinos classificatórios, onde costuma andar próximo às piores equipes do grid, largando, quase sempre, de 15º para trás. Embora o austríaco tenha pontuado bastante, beneficiando-se das corridas malucas – Montreal e Nurburgring -, pode acabar sendo relegado novamente ao cargo de piloto de testes, como foi durante anos, a menos que consiga abocanhar uma vaguinha na incipiente escuderia Prodrive.

Outro veterano que se encontra em maus lençóis chama-se Ralf Schumacher. Enganaram-se completamente aqueles que acreditavam que o alemão só não brilhava na categoria por causa da presença do irmão. Após a saída de Michael, Ralf deu início à sua pior temporada na F-1. Desmotivado e com péssimos resultados, o piloto se mostra irreconhecível em comparação com aquele Ralf da Williams, por exemplo. A Toyota parece não ter mais interesse em mantê-lo no time e, assim, ele foi procurar emprego na STR, mas foi surpreendido com o anúncio de uma dupla de pilotos que não incluía o seu nome. Em meio ao desespero, o Schumaquinho esboça uma reação neste restante de temporada, pois terá de provar na pista o seu valor caso queira realmente permanecer na equipe japonesa. Se não obtiver sucesso, que outro time iria contratá-lo?

Quanto aos novatos, suas opções também são escassas. Da mesma forma que Heikki Kovalainen assumiu o cockpit titular da Renault deixando o cargo de reserva principal para o Nelsinho, agora é a vez do Piquet fazer o mesmo. Sua estréia é apenas uma questão de tempo, e a vaga de piloto de testes já tem dois candidatos: Lucas di Grassi e Romain Grosjean. Este lidera a F-3 Européia e, em breve, deve se mudar para a GP2, categoria por onde corre o brasileiro di Grassi, vice-líder da tabela, arrastando o carro nas costas e disputando contra um rival inconsistente mas que tem equipamento pra sobrar na pista.

E, por fim, restam duas vagas na Prodrive. Um forte candidato é o piloto da Mercedes, Gary Paffett, que anda fazendo bonito na DTM. O mesmo vale para Bruno Spengler. O reserva da McLaren, Pedro de la Rosa, que nada mais é do que um Alex Wurz ligeiramente piorado, também é cogitado na equipe. Assim como o austríaco, Pedro desenvolve o carro excelentemente bem, mas não apresenta o nível de desempenho exigido a um piloto de corridas. Corresponderia a uma grande perda para a McLaren e um pequeno ganho para a Prodrive. Seria melhor se pensassem numa negociação com Adrian Sutil, mas parece não ser o caso.

Só falta falar de Spyker e Super Aguri. Dizer o quê?… Quem tiver grana leva a vaga. Isso se não levarem a equipe inteira. Há rumores de que tem gente interessada em comprar, mas nada de muito concreto até agora. Melhor esperar um pouco mais para iniciar essa discussão, e deixar o tema para outra ocasião.

Contato: felipemaciel_fm@yahoo.com.br

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“A foto de Miss Pit”

Publicado por Ron Groo em Outubro 2, 2007

A pergunta que não quer calar…

por Miss Pit Lane

Alonso chute

Chegando aos 20min do segundo tempo, a dúvida: Alonso fará ou não o gol em 2007?

Contato: misspitlane@f1girlsonline.com

 

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“Futeblogando”

Publicado por Ron Groo em Outubro 1, 2007

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26ª rodada do Brasileiro

 

por Charles Nisz

Rivalidade à prova. 

Na 26a rodada do Brasileiro, metade dos 10 jogos envolveram clássicos. A começar pelo jogo entre o líder e o terceiro colocado. A vitória são-paulina por 2 a 1 sobre o Santos foi justa.

 

Apesar do Santos ter criado quatro chances claras de gol, o tricolor dominou as ações e marcou seus dois gols em apenas 10 minutos no segundo tempo. Num jogo muito equilibrado, esse cochilo na segunda etapa custou o jogo para a equipe praiana.

 

Além do golaço de Breno e da atuação soberba de Richarlyson, o time do técnico Muricy estava mais bem postado em campo e mereceu vencer. Destaque negativo para a torcida do São Paulo, por não gritar o nome do lateral esquerdo. Preconceito pelo suposto homossexualismo do craque?

 

Em Minas, jogaço entre Atlético e Cruzeiro. Dois gols de Roni e prenúncio de goleada azul? Nada disso. O Galo empatou ainda no primeiro tempo e virou no início da segunda etapa. Daí brilhou a estrela do treinador Dorival Jr: Guilherme sai do banco de reservas e decreta a vitória da Raposa: 4 x 3 no melhor jogo do campeonato.

 

No Pacaembu, o Botafogo venceu por contagem mínima e fez o Corinthians seguir na má-fase. Gol de Marcelo em boa jogada do craque Dodô. Em quatro confrontos neste ano, três vitórias para o time carioca.

 

Vitória tricolor também no clássico gaúcho: Grêmio 1 x 0 no Internacional. Sorte do estreante Léo, autor do gol gremista após rebote na área colorada. O Grêmio venceu as duas partidas contra o Inter neste ano, e confirma uma temporada melhor do que a do rival.

 

No Rio, Vasco e Flamengo amargaram empate em 1 x 1. Para o Flamengo teve gosto de vitória: dois jogadores do time saíram lesionados, desmontando o esquema tático. Após sair atrás no marcador, a equipe alcançou a igualdade às vésperas do intervalo em jogada despretensiosa para gol de Leonardo Moura. No fim, com o gol flamenguista vazio, a bola bate no rosto do vascaíno Allan Kardec e impede a vitória cruzmaltina.

 

O Fluminense fez a lição de casa – e em casa – venceu o rebaixado América-RN. Com 40 pontos, o tricolor das Laranjeiras já se aproxima do G4. Boa atuação do craquinho Thiago Neves com uma assistência e um gol. Para quem deseja um reforço para 2008 não custa nada correr atrás do meia, decisivo em várias vitórias do Fluminense.

 

Livre da retranca de Mario Sérgio, o Figueirense fez 4 x 1 no Juventude e espantou o temor do rebaixamento. Com um jogador a mais e dois gols de Otacílio, o time catarinense interrompeu a boa seqüência gaúcha, na tentativa de escapar da degola. O Juventude havia vencido três dos quatro últimos jogos.

 

Se o Náutico se safar da queda, precisará erguer estátua ao atacante uruguaio Acosta. Com dois gols – tem 14 – e uma assistência, o craque comandou a vitória do time pernambucano contra o Goiás. A equipe nordestina está a somente um ponto de alcançar o 16 o posto e sair do rebaixamento.

 

Outro que foge do rebaixamento é o Atlético-PR. Com a vitória por 2 x 1 contra o Palmeiras, o time de Curitiba fechou a rodada um pouco mais aliviado. Vitória construída com um belo gol de falta e assistência de Netinho. Fica frustrada a tentativa alvi-verde de chegar ao terceiro posto no campeonato. Mas também é fato que o time perde muito com as ausências de Edmundo e Valdívia.

 

Já o Paraná Clube vê o rebaixamento em cores mais vivas. Derrota fora de casa para o Sport: 3 x 1. Com o resultado, o time de Recife volta a se aproximar do G4. Apenas seis pontos o separam da zona da Libertadores. 
 
Complemento da 25a rodada: a vitória do Flamengo sobre o Cruzeiro em jogo atrasado da 12a rodada freou a caçada cruzeirense ao São Paulo. Psso estar sendo precipitado, mas pode mandar entregar o troféu no Morumbi.

Contato: nisz22@gmail.com

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“Miscelânea”

Publicado por Ron Groo em Setembro 26, 2007

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De Volta Para Delorean

 

por Felipe Midea

Na semana passada, Danny Botkin, um pequeno ivestidor do Texas, especialista em restaurações, decidiu dar continuidade ao sonho de John De Lorean. Levado pelas dificuldades de encontrar peças de reposição no mercado, Botkin resolveu investir na volta da empresa ao mercado, criando a “Nova DeLorean”.

Entretanto, Botkin usará uma estratégia diferente da De Lorean “original”, já que pretende vender o carro como um “kit de montagem”, para fugir de eventuais restrições legais.

Mas…

Você sabe como tudo começou???
Essa história, que teve início no ano de 1975, é um pouquinho comprida. O DMC-12, mais conhecido como De Lorean, foi desenhado por Giorgeto Giugiaro e foi desenvolvido por Colin Chapman, em conjunto com a Lotus.

O chassi era construído em fibra de vidro e espuma de uretano saturado de resina, envolvido por uma carroceria de aço inoxidável. Já as portas, no formato de “asas de gaivota”, davam um tom “futurista” ao carro.

Internamente, o carro contava com bancos de couro, instrumentação completa e amplo espaço para duas pessoas. Para encerrar o projeto, escolheram um motor Renault V6, de 2.850 cm³ e comando de válvulas num cabeçote Volvo, com potência de 145 CV.
O carro era dotado ainda de injeção eletrônica, desenvolvida pela Lotus na F1.

Filho de imigrantes, De Lorean havia sido operário na Ford. Entretanto, conseguiu estudar engenharia mecânica e trabalhou como chefe de pesquisas e desenvolvimentos da Packard, durante 27 anos.

Depois, entrou na GM, assumindo a diretoria de engenharia da Pontiac. Com ambição e criatividade, tirou a divisão Pontiac do buraco.

Uma de suas criações, o lendário GTO, lançado em 1963, vendeu 30.000 unidades em 11 meses, enquanto que as vendas da fábrica aumentaram para quase 1 milhão de carros/ano.

Em 1969, assumiu a gerência geral da Chevrolet, que não passava por um bom momento. De Lorean trabalhou junto aos revendedores e projetistas, procurando todas as falhas que envolviam a empresa.

Criou o Vega, para combater o Ford Pinto e o Gremlin, fabricado pela American Motors. Voltou a ter sucesso e, em 1971, a Chevrolet vendeu 3 milhões de unidades. Seis meses depois de ter sido indicado como diretor de operações nos Estados Unidos, apresentou a idéia do DMC-12 para a diretoria da GM, que recusou.

John tinha tudo para se tornar presidente da companhia em 2 anos, com a aposentadoria de Edmund Cole, mas renunciou ao cargo, ao poder e a fortuna, já que teve sua idéia rejeitada.

Na verdade, De Lorean era cada vez menos aceito por seus companheiros de empresa. Preferia carros esporte aos carrancudos sedãs da companhia, andando sempre acompanhado de atrizes e pilotos de corridas.

Sabendo do desfecho daquela história, deixou para trás um salário de 650.000 dólares anuais. Foi cuidar da própria vida, pensando em mostrar para a GM, que era capaz de fazer carros fora de uma grande estrutura.

Depois de comprar cerca de 1,5% das ações do New York Yankees e participar da construção de um carro de corrida miniatura, foi acusado de dirigir de maneira lamentável a carreira de Hazel Dean (cantora pop de Los Angeles) e de não cumprir acordos estabelecidos para a compra de uma revenda Cadillac.

Além disso, foi acusado de enganar um inventor, excluindo-o dos direitos de lucro sobre um sistema de refrigeração de automóveis.

Em 1975, conseguiu todo o dinheiro que precisava para agir. Centenas de revendedores se comprometeram a colocar o futuro carro de De Lorean à venda,  pagando antecipadamente para tê-los. Inclusive, três sheiks árabes encomendaram uma série especial do carro, com o exterior banhado a ouro.

Depois, John De Lorean fechou um importante acordo com o governo britânico, para instalar sua fábrica na Irlanda do Norte. Apesar de todo investimento, no início de 1982, um ano depois do primeiro DMC-12 deixar a linha de montagem, De Lorean estava atolado em dívidas.

O preço do carro extrapolou, tornando-se mais caro do que seus concorrentes diretos. O governo britânico havia gastado 156 milhões de dólares no projeto, e o executivo pedia mais dinheiro. Londres recusou e, no começo de 1982, a empresa entrou em processo de concordata, devendo cada vez mais, principalmente para fornecedores.

De Lorean ainda tentou conseguir novos investidores e vender a empresa. Tentou desesperadamente reverter a situação, dispondo-se a financiar um carregamento de quase 200 quilos de cocaína (o FBI pegou cocaína dentro dos carros no porto de Miami), que lhe renderiam pelo menos 50 milhões de dólares. O sonho de John Zachary De Lorean foi definitivamente enterrado.

Poucas horas depois do governo britânico fechar a fábrica, agentes federais liam a De Lorean os seus direitos constitucionais e, de um apartamento do Sheraton Plaza, levavam-no para a Casa de Vidro, uma prisão de Los Angeles. Foi liberado horas depois, por falta de provas.
Infelizmente, De Lorean acabou por sujar o nome dos seus sócios, entre eles Colin Chapman. O famoso construtor inglês era suspeito de ter ficado com parte do dinheiro e, em 1982, morre repentinamente, vítima de um ataque cardíaco.
Sua morte é cercada de grande mistério, já que não houve velório. Muitos suspeitam de que tudo aquilo era uma grande mentira e que Chapman havia fugido para o Brasil.

Tempos depois, é decretada a prisão de seus sucessores na Lotus. Se estivesse vivo, Chapman teria passado alguns anos atrás das grades.

O carro participou ainda do filme “De Volta Para o Futuro”, de Steven Spielberg, ganhando definitivamente o “status” de mito.

John De Lorean morreu em 2005, em razão de complicações decorridas de um ataque cardíaco.

 

Contato: felipaoabc@yahoo.it

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“Editorial”

Publicado por Ron Groo em Setembro 26, 2007

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A queda dentro de nós.

por Ron Groo

O que é preciso para que se realizem nossos sonhos de nação? Talvez seja necessário mudar a essência do que se convencionou chamar de “o povo brasileiro”. É preciso mudar, lá nos genes, a nossa visão de Brasil e de seus problemas.

Dizia a antiga piada que, a nossa catástrofe natural é a classe política. Que ela seria tão devastadora quanto os terremotos, os furacões e os maremotos, que atormentam outros países e continentes.

Penso de forma diferente. O mal do país está em nós, naquele gene “mau caráter” que se esconde em nosso DNA e que se desenvolve. Que aparece quando sabemos que estamos errados e, ainda assim, tentamos levar vantagem. Quando, nas pequenas coisas, usamos artifícios para nos darmos bem ou pelo simples fato de sermos malvados gratuitamente. Como aquele motorista de ônibus que, mesmo com o farol fechado, acelera o coletivo e força os pedestres a apressarem o passo para atravessarem a rua.

É esta a nossa singularidade enquanto povo, tal como o “ão” é uma singularidade de nossa língua; e que me faz duvidar daquela história de “o brasileiro ser um povo ordeiro”. É lobo. Infelizmente. É o seu próprio lobo. Se não, pensemos: O político corrupto é, senão espelho de nós mesmos, aquele pequeno gene “mau caráter” de nosso DNA, elevado à enésima potência e embriagado pelo poder. E como nos ensinou Lord Acton, é ele que corrompe.

Melhor pensar direito. Existe uma grande inversão de valores que nos faz ficar admirados quando alguém é tido como ‘honesto’. Como se a honestidade não fosse a nossa primeira obrigação! Agora, já nos parece normal quando se apresentam senadores, deputados, vereadores, empreiteiros e, mesmo cidadãos sem cargo, que não conseguem explicar a origem de seus bens. Não conseguem nem afastar suspeitas que pairem sobre si. Achamos normal, não mais nos chocamos, não mais nos escandalizamos.

Como também não nos chocam os professores que não sabem ensinar, os policiais que se valem do ofício em beneficio próprio, e toda a gente que usa o Estado em benefício próprio…

É necessário que mudemos, dentro de nós, esta visão. Que cobremos, de nós mesmos, mais compromisso com a verdade e com a honestidade. Fazer com que esta particularidade tão nossa, de “querer se dar bem sempre” (sic), seja revertida em “querer o bem coletivo”.

Somos nós que votamos. Somos nós que elegemos. E somos nós que não sabemos escolher. Falta-nos discernimento para analisar nomes, propostas, biografias e perfis. Façamos a nossa parte. Prestemos atenção àquilo que nos rodeia. Existem tragédias que se anunciam: o mar recuando antes do Tsunami, a calmaria antes da tempestade e, também, como é feita a campanha antes de uma eleição.

Mudemos nós. Aproveitemos a liberdade que temos para poder discutir, analisar e escolher. Mas, principalmente, aproveitemos o momento para rever nossos próprios valores. Façamos nós o nosso melhor, para que isso reflita em todos, tornando-se esse um valor comum. Como nosso “ão”.

Mas se nós temos planos e eles são / o fim da fome e da difamação /
porque não pô-los logo em ação? / tal seja agora a inauguração
da nova nossa civilização / tão singular quanto o nosso ao
e sejam belos, livres, luminosos / os nossos sonhos de nação.

Lenine, in ‘Ecos do ão’

E oxalá, uma boa semana a todos.

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“Futeblogando”

Publicado por Ron Groo em Setembro 20, 2007

25ª rodada do Brasileiro

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por Charles Nisz

Defense, defense… 

Numa rodada onde apenas um jogo teve diferença maior que dois gols – Náutico 4x 1 Botafogo, foram marcados apenas 23 tentos. Não poderia ser diferente, já que o campeonato entra na reta final: faltam 13 das 38 rodadas.

 

Cada ponto é precioso e os times se preocupam antes em defender do que atacar. Outro aspecto a ser ressaltado são os times que estão na zona de rebaixamento ou nas proximidades. Enfrentar esses times será tão ou mais difícil do que bater os rivais na briga pelo título. Basta lembrar que o Juventude venceu quatro dos seus três últimos jogos. Os ameaçados pela degola podem decidir o campeonato.

 

Devido ao amistoso da seleção nos EUA, a rodada teve cinco jogos no sábado e outros cinco no domingo. Os jogos de domingo foram disputados às 19 horas, quando muita gente voltava de um feriado prolongado. Eu custo a acreditar que a CBF realmente valorize a presença do torcedor nos estádios.

 

Quando a bola rolou, poucos gols e predomínio dos times da casa. O único intruso a vencer foi o São Paulo – 2 a 0 no Vasco. No primeiro tempo o líder não chutou a gol, abusou das faltas e tomou duas bolas no poste. Mas, em jogada individual de Dagoberto, pôs fim à invencibilidade de 22 jogos do Vasco em casa. Pode não ser justo, mas é futebol.

 

Ainda no sábado, Figueirense e Inter venceram Atlético-MG e Flamengo, respectivamente e afastaram temporariamente a ameaça da queda. A vitória gaúcha foi mais convincente – 3 x 0 do que os 2 x 1 dos catarinenses. O jogo contra o Galo foi o primeiro do Figueira sem o técnico Mário Sérgio.

 

O outro time das Gerais, o Cruzeiro, fez 2 x 0 no Grêmio e tirou a equipe gaúcha do grupo dos times classificados para a Libertadores. Os gols de Marcelo Moreno foram importantíssimos para manter a Raposa no encalço do São Paulo.

 

Fechando o sábado, placar mínimo do Santos diante do Juventude. A equipe da serra gaúcha viciou nas vitórias e dificultou o quanto pode a vida do time da Vila. Renatinho foi oportunista após lambança de goleiro e zagueiros adversários e decretou a vitória santista.

 

Fluminense e Palmeiras fizeram o esperado. O tricolor carioca marcou 2 x 0 sobre o Atlético-PR e já tem 37 pontos, a apenas três do G4. Vale lembrar: o Fluminense venceu a Copa do Brasil e já está na Libertadores 2008. Mesmo placar para o Palmeiras diante do Goiás. Boa vitória em casa e consolidação na ponta da tabela.

 

O mesmo não pode dizer o Botafogo. Depois de liderar 18 rodadas, o time experimenta uma seqüência de quatro jogos sem vencer. Melhor para o Náutico, que contou com quatro gols do uruguaio Acosta para virar 4 x 1 em cima dos cariocas.

 

Quem também perdeu oportunidade de colar no G4 foi o Corinthians. Em Curitiba, o Timão perdeu de 1 x 0 do Paraná. Adivinha quem fez o gol? Sim, Josiel, de pênalti. A sofrida vitória faz o time paranista subir ao 15 o lugar e respirar um pouco mais aliviada.

No jogo entre dois nordestinos, o único empate da rodada: 1 x 1 entre América-RN e Sport. Gosto amargo dos dois lados: o time potiguar deixou a vitória escapar aos 18 minutos da etapa final. Para o Sport, são dois pontos perdidos para um time virtualmente rebaixados. Pontos que farão falta na briga por uma das vagas da Sul Americana.

Contato: nisz22@gmail.com

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“O Grande Circo”

Publicado por Ron Groo em Setembro 18, 2007

Erva

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por Paulo Alexandre Teixeira

E se hoje vos falasse de televisão? “E porquê”, perguntam vocês? Porque tal como todos vocês, também tenho a minha série favorita. E também porque estou mentalmente cansado de ouvir noticias sobre o “caso Stephneygate” e as facções que querem a exclusão da McLaren da Formula 1… ou então, se for para dento do meu rectângulo perferido, sobre a Maddie McCann, e se os pais mataram ou não a sua filhinha… não é que seja insensível perante a tragédia humana, mas o excesso de informação também faz mal.

Sendo assim, vou alienar-me. E como? Falando da minha série favorita da TV. E é provavelmente uma das mais subversivas que já vi em muitos anos… Falo-vos de “Erva”.

“Erva” (Weeds no original) é uma série que estreou-se no canal por cabo “Showtime” em 2005. A história é bem simples: Nancy Botwin é uma mulher de meia-idade, com dois filhos, que mora em Agrestic, uma comunidade fictícia da Califórnia de classe média-alta. Um dia, ela fica subitamente viúva, quando o seu marido, Judah, tem um ataque cardíaco fatal quando passeava no parque com o filho mais novo. Passado o choque inicial, Nancy vê-se com um dilema: tem que manter o estilo de vida e pagar as contas que o seu marido tinha deixado para trás. Sem ter trabalhado na sua vida, encontra uma solução inesperada: torna-se traficante de droga, nomeadamente, de marijuana (maconha).erva-2.jpg

Para isso, conta com ajuda dos amigos: Helya, a mulher que lhe fornece o produto, o seu sobrinho Conrad, que olha por ela (e acho que tem um fraquinho…) Doug, o seu contabilista, vereador na Câmara local, e o homem que lhe arranja as fachadas ideais para manter as aparências (arranja uma pastelaria, que mais tarde pega fogo por “incompetência e estupidez do empregado”, segundo diz o chefe dos bombeiros) e Dean, o advogado dela e seu vizinho.

A mulher de Dean, Célia, é outra personagem importante da história: ela não acredita nas drogas leves, mas é viciada em comprimidos. De inicio, acha-se que ela é um pouco fria e rigída, especialmente com a sua filha Isabel, de 12 anos, que é um pouco… forte, e que quer por todos os meios fazer com que mude de hábitos alimentares. Para piorar as coisas, o marido tem um caso com uma tenista chinesa, com una hábitos sexuais um pouco… ortodoxos. Mas a meio da primeira série, Célia descobre que tem um cancro na mama e muda completamente: aproveita e tem um “one night stand” com Conrad, antes de remover os seios e fazer a quimioterapia. Depois de tudo ter corrido bem, e chegados à segunda série, ela decide concorrer ao cargo de vereadora, contra… Doug, o contabilista. No momento em que escrevo estas linhas, a eleição ainda não aconteceu, mas seria giro saber o que aconteceria se ela ganhasse…

Também há outra personagem que merece ser citada: Andy Botwin, o irmão de Judah e cunhado de Nancy. O “ovelha negra” da família, “aterra” em casa a meio da primeira série, no sentido de arranjar um poiso para ficar. Em princípio, pouco ou nada faz, a não ser ajudar no negócio da cunhada. Mas um dia, recebe uma carta do exército, que o mobiliza para o Iraque. Ora, como a última coisa que ele quer na vida é acabar numa valeta de Baghdad, tenta uma saída. E sendo judeu, decide estudar para rabino!

Também temos os filhos de Nancy: Shane e Silas. Shane, o mais velho, tem 17 anos e está apaixonado por Megan, uma rapariga surda. Neste momento, ele confronta-se com a ideia de que ela pode ir para Princeton fazer os seus estudos universitários. Para impedir isso, ele fura um dos preservativos para que ela possa engravidar. Para quê? Para ficar mais perto. E o esquema resultou. Pelo menos, foi assim que fechou o episódio da semana passada…

Quanto a Silas, ele tem 12 anos e está naquela fase da puberdade. Por ter provavelmente assistido ao ataque cardíaco fatal do pai, a sua visão do mundo é um pouco excêntrica. Faz vídeos a imitar os iraquianos a raptar estrangeiros, que cortam as suas cabeças, morde os adversários em torneios de karaté (foi assim que Nancy conheceu Peter, o seu actual namorado, cuja profissão é… agente da DEA, a agência anti-droga do país), ou entope os canos da casa com meias, para esconder o facto de ter começado a masturbar-se…

Aliás, uma das minhas cenas favoritas da série é quando o tio Andy o leva… às meninas para que ele fosse ajudado a aliviar-se… Ora, levar um menino de 12 anos para um sitio destes não é muito aconselhável nestes tempos, não é? A rapariga que o atendeu, uma chinesa, não queria fazer o serviço. Assistindo à cena, Silas começa a chorar baba e ranho à frente de toda a gente, o que faz com que ela tenha pena e decida fazer o “serviço”. A chantagem infantil resulta sempre…

Outra das minhas cenas favoritas envolve Isabel, a filha de Célia. Ela leva uma amiga asiática para casa, onde brincam às Paris Hilton. Primeiro, a miúda asiática arma-se em acessora de imprensa (ou menina bajuladora, se preferirem). Na cena seguinte, Célia vê Isabel e a amiga a beijaram-se longamente na boca. Confrontada com a cena, o desabafo: “Oh, meu Deus…” Decide que ela não vai mais a casa, e então a menina telefona para os pais e diz, em mandarim, que a mãe de Isabel é racista e que vai fazer tudo para expulsá-los do país… Crianças inocentes, hein?

Em suma: a série é um espelho actual da sociedade americana. Nunca as aparências iludiram tanto como agora. É certo que isso faz parte da natureza humana, mas quando se sabe que na América, temos franjas da sociedade que levam a ideia da família muito a sério, e que classificam os “comportamentos desviantes” (homossexualidade, adultério, aborto, drogas) como “imorais”, acho que é a hipocrisia no seu máximo. Há outros excelentes exemplos: uma cena em que a associação de pais que quer expulsar o professor de Educação Física só porque é homossexual, ou então o polícia do “campus” que prende Mary, só para ficar com o conteúdo da sua mala para poder vender…

Para mim, o fascínio da série reside nisso: num registo de comédia negra, denunciar a actual espelho da actual sociedade americana, nos seus pecados que todos cometem, mas que todos negam. No dia em que alguém atirar a primeira pedra, ficarão admirados com a quantidade de vidros que se partirão. Aliás, a minha curiosidade actual é: como será que os argumentistas conseguirão desenrolar aquele novelo?

http://myspace.com/weedsonshowtime  weeds no my space

http://www.sho.com/site/weeds/home.do site oficial

Contato: p.alex.teixeira@gmail.com

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